Passos em falso

| April 20th, 2010

Já alguma vez enfrentaram uma situação caricatamente injusta, perpetrada por uma pessoa que consideram como vossa amiga, e que está completamente fora dos vossos parâmetros de sanidade e equidade?

E o que fazer numa altura dessas? Deixá-lo continuar a vangloriar-se por algo que sabe que está completamente fora de contro-lo e que deixará marcas profundas em terceiros? Incentivá-lo com o nosso silêncio acerca desse assunto e deixar-nos corromper a ponto de nos tornarmos cumplices de um conjunto de actos puramente aventureiros sem poderação do que lhe trarão no futuro, deixando que a sua consciência um dia faça o restante trabalho?

Talvez sim, talvez não. Uma coisa é certa, não o podemos ir aconchegando no regaço dizendo «Tu é que sabes o que queres, faz o que é melhor para ti. Tens é de te sentir bem contigo mesmo…». A estas atitudes deveremos dizer basta!

E uma coisa é certa. No meu ponto de vista, um amigo é aquele que nos conhece e sabe que as nossas palavras vão-lhe ser sempre fonte de opiniões verdadeiras, mediante o nosso ponto de vista, e sempre que necessário sabe que poderá contar conosco em qualquer tipo de situação. Daí que o mais certo será, talvez, dizermos a verdade, mesmo que a seu ponto de vista saia esta em forma de galhardete (sempre mantendo o bom relacionamento e sem criar distúrbio). Mas, mesmo que queiramos dizer a verdade, esta tem uma forma e um momento específico para ser dita, uma altura em que fará efeito e as pessoas, mesmo que continuem a ter atitudes menos «democratica ou moralmente aceitaveis», pelo menos o façam com um ligeiro peso na consciência.

E se a amizade quebrar à conta de dizer a verdade? Quer queiramos ou não, a verdade é sempre o melhor caminho, mas também o mais duro e o que deixa mais mágoas. Mas, as marcas que deixa não são só chagas incuráveis. Um dia precisaremos de apoio e essa pessoa estará sempre lá, e normamente as relações de amizade são as que mais perduram na vida de uma pessoa. A verdade não a destrói, muito pelo contrário. A amizade alimenta-se da verdade e re-inventa a forma de estar das pessoas que a partilham, ajuda-as as crescer e torna-as mais tolerantes, mais compreensivas e mais honestas.

O Amor não é mais que uma amizade re-inventada entre pessoas que desejam tornar-se ainda mais e mais verdadeiramente «humanas». Por isso as suas mais diferentes formas! – Amor de pais, de irmãos, de avós, de casais…

Portanto, meus colegas e amigos, alimentem as vossas amizades verdadeiras e nunca se escondam por trás de uma opinião silenciosa. Digam calmamente o que vos vai no coração, a pessoa que vos estiver a ouvir levará isso em conta e poderão contribuir para a felicidade de mais que um ser nesta vida entristecedora…

Sejam AMIGOS (IN)VISÍVEIS 

Páginas de uma Vida

| March 23rd, 2010

Há dias em que sinto a falta de um(a) amigo(a), em que peço que as forças sobre-humanas puramente dogmáticas se façam anunciar como meus protectores e me enviem um rosto simpático… Mas nada parece acontecer.

Por muito que me esforce por acreditar ou me desfaça em pedidos, nada parece acontecer exactamente no momento mais difícil… As respostas não surgem e os tremores mantêm-se, mas isso não me impede de continuar implorando por melhores momentos.

Lembrem-se que quando as forças se acabam, há sempre algo pelo qual esperar, algo que virá de seguida e que será suficientemente rico para que todos esses momentos se desvaneçam no ar. E é nesse «acreditar» que deveremos fixar o nosso olhar, quando reunimos os nossos últimos esforços para o erguer.

Vamos todos acreditar nas lições de vida que estes nossos passos em falso nos oferecem, e agradecer ao mundo pela sua imperfeição, responsável pela criação de melhores seres humanos – do meu ponto de vista, talvez mais humildes…

E se precisarem de alguém, seja para um consolo ou desabafo, lembrem-se que uma folha de papel e uma caneta podem ser os maiores amigo do Homem… Levam com todos os nossos queixumes, sem nos julgar e sem perguntas :) E quando algum tempo mais tarde voltarem a ler as vossas palavras fazê-lo-ão com um sorriso do tamanho do mundo! Ou pelo menos, do tamanho da vossa lição de vida…sem-titulo

Dezenas de vezes paramos para pensar: Porque agi assim?… Mas, eu não era contra isto??… Parvo(a)!Parvo(a)!Parvo(a)!… Onde será que bati com a cabeça!… Minha nossa!Quem me viu e quem me vê…

Infelizmente, muitas vezes somos obrigados por invisíveis impulsos indiscriminados a exercer determinada acção ou soltar determinada palavra que nos reprime a nossa própria existência a um momento miserável de indeterminável falta de consistência… Fazemos o que não desejamos realmente, dizemos o que na verdade não acreditamos, movemo-nos na direcção que nunca desejamos ir. E isso magoa-nos, cínge-nos a momentos que não queremos relembrar e, pior que isso, defínha-nos por fazermos outros se sentirem extremamente magoados com as nossas atitudes impensadas…

Mas, afinal, porque razão agimos assim? Será a nossa pura alma egoísta? Ou o nosso sentido egocêntrico?… E poderemos evitar de o fazer?

Sinceramente, acho que não. Somos autênticas Geishas da nossa cultura – importâmo-nos extremamente com o que transmitimos ao mundo mas somos “escravos” da nossa ”humanidade precoce” que nos leva a buscar o prazer pela superioridade e ao inferiorizarmos quem adoramos deixamo-nos ainda mais pobres…

Excertos… Cartas ao meu Amor

| February 11th, 2010

«Se há coisas que não gosto muito de fazer são promessas, pois não somos um único ser no mundo com capacidade para fazer tudo à nossa maneira sem interferência de outros elementos… Enfim, por muito que digamos «quem manda sou eu!», sabemos que isso é mentira.

Mas certo é que, aquelas que faço cumpro. E quem me conhece sabe disso melhor que ninguém. Se é numa brincadeira, obviamente me desminto de imediato, mas se a faço seriamente, cumpro-a, por muito que pessoas que me são importantes por vezes levem com uma ou outra bala perdida… Infelizmente a vida é assim e tudo tem sempre troca. Mas, não há male que sempre dure, como se diz na gíria do povo. E volta sim, volta não, tudo volta ao normal.

Agora, no que toca a ti… A nossa «criação» como uma só alma perpetrante de amor e compreensão, sabes que não jorrou por si só, sem dificuldade. Altos e baixos sempre se deram e muitas vezes nos deixamos sucumbir. Mas, chegado a um ponto de libertação, finalmente decidimos deixar-nos crescer e hoje somos o que somos, sem nada dever a ninguém. E quem tentar interferir com isso vai levar troco (nem que parta p’ra dentada!)…

Mas, agora te prometo: Vou tentar fazer tudo o que possa para te ver feliz.

Amo-te T.»

Diamantes vazios…

| February 11th, 2010

Às vezes gostava de perceber as pessoas e as suas formas de ver a vida, de agir e de interagir com a vida dos outros. Sei que ninguém é perfeito neste mundo, a não ser quando se olha de relance no seu próprio espelho… Nesse momento não é importante aquilo que os outros pensam de si, pois se fisicamente se podem apontar pequenas falhas que gostaríamos de colmatar, do que vai ca dentro o espelho nada mostra.

Ora, se o espelho mostrasse a nossa alma, muitos nem conseguiriam ver a sua imagem, de tão escura que seria, outros vê-la-iam às cores, fruto da sua boa disposição e alegria e do apoio que prestam em sua volta, outros… bem, seriam almas vazias…

Gosto de pensar em todas as pessoas que me circundam como pedras preciosas, cujo interior é rico em experiências e em bondade… Mas a desilusão na maioria das vezes é tamanha que chego a pemsar em deixar de acreditar que uma pessoa desconhecida possa ser um(a) amigo(a), em que um(a) colega(a) possa ser uma ajuda, em que um(a) companheiro(a) possa ser um carinho e uma amizade indiscutíveis ou que um pai possa querer o que de mais feliz há num mundo para um filho…

Eu vivo num mundo de diamantes vazios… e vocês?

rosaA manhã chega, e com o despertar de mais uns segundos sinto o chegar de mais uma realidade que se funde na minha, como se o seu cruzamento fosse completamente natural… E é. Sentirmo-nos distantes e diferentes do mundo em que vivemos, do dia-a-dia que vai surgindo, das pessoas com quem falamos e nos relacionamos é mais natural que o ar que respiramos.

Quantas vezes damos por nós a pensar no que realmente sentimos pelas coisas ou no que vivemos em determinado momento e acabamos por nem reparar nos nossos sorrisos de soslaio ou na lágrima que se forma no canto do nosso olho, independentemente do contexto que nos rodeia… É o nosso refúgio, o nosso desligar da tomada que alimenta todas as pessoas em simultâneo.

«Olha!Tá-lhe a dar…» pensa quem dá conosco nesses preparos, reparando na nossa distância. Parecemos loucos envolvidos pela sanidade de um mundo no qual comportamos a nossa própria e incopiável realidade. Realidade no qual somos crianças, loucos, filósofos e até mesmo génios. Realidade à qual voltamos, sempre que sozinhos, ou através dos nossos sonhos.

Não chamemos loucos a quem  não encontra o seu lugar na nossa sociedade… Essas pessoas apenas ainda não conseguiram viver em ambas as realidades em simultâneo, mas do mal o menos, não passam horas a tentar lutar contra e a compreender a podridão do mundo que é de todos…